segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Multidimensionalidade...

Multidimensionalidade é uma palavra relativamente nova;

expressa uma consciencialização da realidade multidimensional, que se relaciona com a percepção e a vivência. Pelos estudos apresentados na área da física quântica, sabemos que muitas dimensões podem co-existir;

Eisntein pesquisou incessantemente uma teoria capaz de descrever as forças da natureza por meio de um esquema único (Teoria do Campo Unificado) e acreditava que o conhecimento mais profundo do Universo poderia mostrar a simplicidade e a potência dos mecanismos que o constituem.


A Teoria da Relatividade procurou elucidar os mecanismos da natureza com uma visão que nos permitiria contemplar toda a grandeza e encanto do Universo;

mas Einstein não conseguiu completar seu o seu objectivo, abrindo caminho para outros estudos, permitindo que Brian Greene (O Universo Elegante) associasse a Teoria da Relatividade de Einstein com a Teoria das Super Cordas, encontrando o que Einstein procurou durante muito tempo.

Uma vez li que podemos considerar o Universo como uma cebola com infinitas capas (dimensões);

se estamos inseridos neste universo, também somos multidimensionais.


A Teoria das Super Cordas foi-nos trazida para unificar conceitos e propiciar-nos um maior e melhor entendimento do que seja a Multidimensionalidade.

A Teoria da Relatividade explica fenómenos em escala astronómica (força da gravidade, Big Bang, evolução das estrelas, buracos negros...), mas não detalha o comportamento das partículas atómicas como a teoria das Super Cordas.


Actualmente temos conhecimento de que a matéria é feita de átomos, os átomos são formados por electrões, protões e neutrões, e estes últimos são formados por quarks (up e down); estes electrões e quarks são chamados de partículas fundamentais, pois não podem ser divididas, além de ter uma natureza dual característica: ora se comportam como partículas, ora se comportam como ondas. Considerando as ondas (cordas) e não mais as partículas como unidade fundamental do nosso universo, é possível unir a Teoria da Relatividade com a Mecânica Quântica numa única teoria onde tudo (electrões, protões, neutrões, muons, bottons, charms... todas as partículas atómicas) que está no universo seriam cordas num espaço com mais de 10 dimensões.


Mas nós não percebemos esta realidade; então pergunto: a realidade que observamos é verdadeira?
O interessante na Teoria das Cordas é que ela pode tornar-se uma teoria de “tudo”, pois traz a possível solução ao problema da gravitação quântica e quem sabe, talvez descreva as interacções similares ao electromagnetismo e outras forças da natureza. Resumindo: esta teoria postula que os quarks – menor partícula subatómica conhecida – estariam formados por “supercordas” e de acordo com a sua vibração, dariam características específicas ao núcleo atómico a que pertencem, qualificando físico e quimicamente a partícula em questão.


Não se sabe, ainda, se ela é capaz de descrever o Universo como uma colecção de forças e matérias que nós podemos observar, nem quanta liberdade de escolha nos irá permitir; todavia vem ao encontro da existência de uma “partícula divina consciencial”. Exemplificando: a Terra é vinte ordens de grandeza menor do que o universo; seu núcleo atómico é vinte ordens menor e uma supercorda é vinte ordens menor do que o núcleo atómico. No Livro dos Espíritos encontramos a citação: “ A matéria é formada de um só elemento primitivo;

os corpos que considerais simples, não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva”.


Assim, sabemos que cada vibração das “cordas” é responsável pelas características do átomo a que pertence, e esses dão origem a corpos específicos e cada vez mais complexos, levando-nos a mais de 10 dimensões.

Os novos princípios utilizados pela Teoria de Cordas levam a novas descobertas também na teoria da Supersimetria, que permitem aos físicos afirmar que o nosso Universo possui 11 dimensões: 3 espaciais, 1 temporal e 7 recurvadas o que explicaria as características das forças fundamentais da natureza. Assim, temos um princípio da interdependência que nos oferece uma imagem espacial na qual os diversos fenómenos do mundo físico, biológico e social estão interligados; e o homem faz parte da sociedade que está contida na biosfera e ambas se integram no mundo físico. Afectamos e somos afectados a todo o momento, pois estas esferas interagem entre si, afectando a composição e a dinâmica umas das outras; vivemos relações que são simultaneamente físicas, biológicas, sociais e psíquicas. Por isso, o equilíbrio entre estas esferas faz-se mediante a harmonização do fluir dos componentes deste espaço e requer uma sincronia entre a natureza e a acção humana para propiciar a criação e a nutrição das teias de sustentação do mundo físico e biológico, sem violentar a integridade física, psíquica e espiritual dos seres humanos.

Sentirmo-nos conectados com o Universo leva-nos a assumir a óptica da interdependência e coloca-nos diante de uma responsabilidade universal: somos herdeiros e guardiães do desenvolvimento de todas as formas de vida e cultura e temos um compromisso com as próximas gerações. Precisamos de deixar o nosso mundo, melhor do que o encontramos;

é para evoluir que aqui estamos, numa aprendizagem constante neste mundo manifesto. Enquanto Humanidade, contemos toda a herança dessa aprendizagem registada na memória do átomo, da célula, dos instintos animais e da forma própria de organizarmos os elementos constitutivos ao longo da nossa trajectória. Assim podemos entender que as esferas contêm e estão contidas uma nas outras, cada qual com a sua dinâmica e características próprias, e se prestarmos atenção, na dimensão temporal da evolução, observaremos que o futuro é que conterá o passado e que a aprendizagem e a criação são dimensões a serem consideradas.

A Modernidade foi modelando um homem unidimensional, muito identificado com pensamentos, palavras e posições fixas e estamos a precisar de uma visão mais ampla e multifacetada de nós mesmos. Muitos se perderam e outros, valendo-se da capacidade constante de aprender e mudar começaram a redescobrir dimensões perdidas ou não exploradas da nossa experiência: afectividade, sensações, intuição, percepção das esferas corporativas ligadas à Terra e ao Universo que se transformaram em mundos a serem desvendados e integrados. Devemos examinar quais os valores que realmente incorporamos na nossa acção, o que nos motiva, como assimilamos e organizamos os nossos recursos originários das diversas dimensões nas quais transitamos para que tenhamos um mundo em harmonia.

A óptica da complexidade ajuda-nos a reconhecer que as diversas dimensões: do corpo, do sentimento, do pensamento e do espírito, estão presentes o tempo todo e actuam juntas mesmo que não estejamos conscientes delas.


(Re) Conhecer estas dimensões e como as suas dinâmicas interagem, possibilita-nos sair do co-existente para o integrado.


Depois de milhares de milhões de anos de evolução, milhões de anos de vida no planeta e milhares de anos de caminhada sobre a Mãe Terra, deparamo-nos com questões fundamentais que nos remetem ao nosso autoconhecimento, ao conhecimento de como se processam as nossas relações e do poder que temos em afectar o mundo e os outros.


A Multidimensionalidade traz-nos a consciência de que somos viajantes de diversas esferas e participamos de incontáveis processos da natureza e do espírito; convoca ao exercício da integridade, para que harmonizemos sentimentos, pensamentos, actos e acções; requer o exercício da verdade, a aceitação incondicional de nossa condição humana e a abertura para o processo de conhecer sem preconceitos e sem as limitações dos padrões que têm respondido pelo sofrimento generalizado da humanidade.


Nos últimos anos a ciência e a tecnologia fizeram com que tivéssemos um grande avanço do nosso poder sobre a natureza, sobre a vida e sobre nós mesmos, todavia, os dilemas colocados diante das nossas formas de conceber o mundo, da nossa motivação para a acção, e as estratégias que usamos para nos organizarmos e desenvolvermos, têm demonstrado que a humanidade está desafiada a promover um salto de qualidade nos seus padrões de conhecimento, de relações e de uso de seu poder como condição para sua própria sobrevivência. Nós precisamos aventurar-nos na conquista da paz, procurar caminhos novos e confiarmos que a possibilidade criada pelo alinhamento de motivações correctas nos leva mais além...

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